THOMAS DREHER
O druida do rock gaúcho
Num canto do estúdio, rolos de fita aguardam a ação do tempo. Noutro, cabos emaranhados pelo chão. Na sala da técnica, uma bateria montada, um computador de tela verde e uma mesa de quatro canais.
A imagem remete a um estúdio caseiro e, possivelmente, abandonado, mas trata-se, na verdade, do ambiente de trabalho de um dos mais conceituados técnicos de gravação do Brasil. Com quase vinte anos dedicados à profissão, prezando sempre pelo experimentalismo, pela quebra de tabus e pela qualidade do produto final de seu trabalho, Thomas Dreher conhece seu ofício e manipula suas máquinas como um autêntico druida do terceiro milênio.
A aparência informal do estúdio reflete a essência do método de trabalho de Dreher: deixar os músicos à vontade para criar e experimentar. Aqui, improviso e domínio técnico andam juntos e são o segredo de discos como 4 Centésimos de Semiton, dos Relógios de Frederico, Carteira Nacional de Apaixonado, de Frank Jorge, e Plastic Soda, de Júpiter Apple.
Abrindo os canais de antigos trabalhos, contando detalhes das sessões e relembrando momentos importantes de sua caminhada, Thomas nos regala páginas preciosas da história do rock gaúcho.