TELMO DE LIMA FREITAS
Apartando e reunindo
Telmo de Lima Freitas dispensa apresentações. Contudo, para quem é de outras vertentes, ninguém melhor que o próprio para dizer quem é e a quê veio.
Em seu depoimento, Telmo e seus familiares falam da produção de Aparte, primeiro projeto independente de sua ampla discografia, que conta com quase uma dezena de títulos, entre vinis e CDs. De lambuja, o compositor canta, declama e conta um tanto de sua trajetória, ao calor do fogo de chão, aceso na sombra acolhedora de seu galpão em Cachoeirinha.
Ícone do movimento tradicionalista, veterano vencedor dos grandes festivais nativistas, o arraigado missioneiro montou acampamento no estúdio da Tec Áudio, no inverno de 2006, e reuniu filhos, netos, genro e alguns dos antigos parceiros, como Joãozinho Índio, Luiz Carlos Borges e Paulinho Pires.
A participação do filho Kiko Freitas torna histórico esse disco. Não apenas por ser a primeira vez que os dois gravam juntos, mas pelo toque universal que o renomado baterista emprestou à obra do pai. Igualmente marcante é ouvir as vozes dos netos Carolina Freitas Scherer e João Francisco Freitas Scherer fazendo coro com o avô na esperançosa Ciranda de amor. E nada disso teria se concretizado, não fosse a dedicada produção artística e executiva do casal Ana Elisa de Castro Freitas e Cristiano Scherer.
No grito libertador de cantar o que gosta, gravando à sua maneira, Telmo concebeu um disco ao mesmo tempo moderno e fiel às raízes do Rio Grande. Assim é o CD Aparte: independente, coerente e conciliador. Mais agregador, impossível.