EXCLUSIVO

O vocalista, guitarrista e compositor dos Subtropicais, Alexandre Marques, fala sobre as doze faixas do disco Temporal no Céu da Boca

________________________________________________________

 
 

 

TV - Uma música seca e direta. Quando fiz, achava que não tinha nada a ver com os Subs. Mas foi só tocá-la uma vez no ensaio que a rapazeada já se interessou e começamos a fazer os arranjos. O refrão é quase hard core. E tem um trecho que é disco music.

São Nunca - Essa é uma mistura de Crosby, Stills, Nash & Young com samba. O solo do Gordo é sensacional e os sopros do trecho final foram gravados por King Jim (sax), Juliano Z.B. e Slap Stoned (trompetes). A letra trata da nossa eterna espera, seja lá do que for.

Cinema do Céu - Fez parte do compacto duplo que lançamos em 2005 como passo inicial pra gravar o disco. Estávamos nos ligando cada vez mais à black music, ao rhythm & blues e ao funk. Mas a melodia das estrofes é baseada na música nordestina.

Temporal - Essa é o tema instrumental que abrimos vários shows. Eu diria que é um samba-jazz com um toque latino. A percussão é o orgulho do Marcelo no disco!

Subtropical - Rock'n roll que anuncia o que a gente veio fazer no mundo. Uma mistura desenfreada de referencias brazucas com rock e psicodelismo. Foi a música que rolou bastante nas rádios da capital e é nosso cartão de visitas.

A Fúria do Samba - Um samba deseperado! Também com influências latinas e guitarras saturadas. Samba e eletricidade. A contagem do inicio é uma referência a Taxman. Só faltou a tosse!

Eletricidade - Essa música veio quase completa, letra e melodia juntas. Lembro que, quando estava começando ela, mostrei pro Prego e ele disse: "Gostei dessa! Eu sou um cara elétrico!!!"

M'boitatá - Começamos a compor essa a partir do solo. Havia a idéia de fazer uma marcha, tipo um maracatu ou frevo. Os efeitos que o Iuri colocou na parte final realmente deram um clima psicodélico. E a letra conta a história do M'boitatá, a cobra de fogo das lendas tupi-guarani.

...Vem a Noite - Um reggae com um clima etéreo, meio Pink Floyd. Convidamos o especialista em teclados reggae music, Lucas Ricordi. No final o clima é hendrixiano... toda a banda solando!

Sebastião - Minha preferida! Uma mistura de melodias beatle com uma batucada do norte. Inspirada na história do rei português D. Sebastião, que sumiu numa batalha e gerou a lenda de que morava no fundo do mar.

Sonho Vivo - Essa música foi praticamente vomitada! Saiu duma vez... tem uma cara mais contemporânea. Também adoro a parte de samba, que gravamos com um banjo de mais de 70 anos de idade! O solo do Gordo também é de arrepiar.

Nada de Mim - Quando começamos a gravar o disco, já sabíamos que essa iria fechar o álbum. Uma canção desesperada, sobre o sumiço. O riff inicial foi a primeira coisa que criei num violão, há 15 anos atrás. Lembro que quando
estava fazendo a letra, assisti uma palestra sobre as pessoas
desaparecidas na época da ditadura... Eu também quis sumir naquela hora.

________________________________________________________